sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

QUEM É QUE MANDA NO BRASIL (Trecho da entrevista do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais Francisco Carlos Garisto)



Trecho da entrevista do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais Francisco Carlos Garisto concedida para a revista Caros Amigos











Trecho da entrevista do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais Francisco Carlos Garisto concedida para a revista Caros Amigos

Sérgio de Souza - O que é o Comando Delta?

Garisto - O Comando Delta é a fábrica de presidentes, é o que comanda o sistema brasileiro, que fez a reunião para escolher o Fernando Henrique, que já deve estar fazendo reunião para convidar outro.

João de Barros - Quem faz parte desse Comando?

Garisto - Ah, esse comando é florido! Não vou entrar nessa, que essa eu não posso.

Sérgio de Souza - Não precisa dizer os nomes, só os cargos, ou de que áreas.

Garisto - De todas. De médico a político, a tudo. Eles se reúnem e não existe uma coisa planejada. O camarada, por exemplo, é dono de uma escola e está faturando milhões, se entrar o Lula: "Aí ele vai me ferrar, estou ganhando 100 milhões por ano...".

Quase todos - Di Genio?

Garisto - Vocês que estão falando. Aí tem, por exemplo, um banqueiro ? quero ver vocês falarem agora.

Wagner Nabuco - Tem muitos.

Garisto - Aí você tem o sistema bancário, por exemplo, e os caras faturando um bi por ano, você pega o último balanço do banco e ele passa a ser o primeiro ? estou dando dica pra caramba ?, aí você vê um cara desses correr risco de entrar um maluco qualquer na presidência da República; não é aquele conluio de conspiração para matar o Kennedy, mas é aquela coisa que você se organiza para manter o status quo: "Vem cá, meu irmão, o que vamos fazer?" E eles chamam de Comando Delta: "Não está na hora de reunir o Comando, não?" Então, eles chamam um, chamam o outro, se reúnem.

Wagner Nabuco - Tem um secretário?

Garisto - Não tem secretário, nem presidente, não é conspiração, é informal, cuidam dos interesses deles com as armas que têm: grana!

João de Barros - Mas é palaciano?

Garisto - É pré-palaciano. E depois levam o resultado. Então, você reúne a empreiteira que faturou não sei quantos milhões, o banqueiro que ganha não sei quantos milhões, e aí você tem que eleger uma pessoa para comandar os trabalhos, como na maçonaria tem o grão-mestre, aquelas coisas.

Verena Glass - Tem consultor externo?

Garisto - Tem de tudo. Hoje, você está conversando, amanhã os caras estão entregando. Uma vez dei uma entrevista na televisão e falei: "O Comando Delta acaba escolhendo um presidente aí". Só falei isso, e a entrevistadora, na hora: "Quem é o Comando Delta?" Eu: "As pessoas ?de bem? do país, pessoas que comandam a economia, o mercado". Rapaz, deu um bode desgraçado! Ela me ligou depois de dois dias e disse: "Garisto, o que tem de gente ligando querendo saber do Comando Delta". Falei: "Isso é coisa do Chuck Norris, Comando Delta 2, 3, pára com isso! Tô fora, porque eles são muito fortes". São unidos, ricos e inteligentes. Aquela operação toda feita no seqüestro do Diniz, organizado, bonitinho, vocês da mídia são os donos dela através do representante maior de vocês ? daqui a pouco estou falando o nome, que já ganhou a segunda tartaruga agora. Ele ganhou a segunda tartaruga porque a outra morreu. (risos)


Sérgio de Souza - Ficou para trás aquela história do golpe de Estado.

Garisto - O golpe que não houve. Estávamos fazendo uma greve e eu estava comandando, era presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais...

Sérgio de Souza - Que ano era isso?

Garisto - 1994. Aí tem nome, e eu dou porque falei pra eles que ia escrever um livro e eles falaram que podia botar, então está liberado: é o Moroni Torgan e o deputado federal Luciano Pizzatto, que estão na ativa ainda. O Luciano Pizzatto, na época, era presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara, muito ligado aos militares. E o Moroni era líder do governo do Itamar. É meu amigo particular, já o conhecia desde aquela época. Aí estávamos comandando aquela greve e dez dias, quinze dias, a Veja deu capa, a IstoÉ deu capa. A Veja deu: "Baderneiros ameaçam autoridade do governo". E o distintivo da Polícia Federal. A IstoÉ deu: "Rebelião dos tiras".. E o distintivo da Polícia Federal. E aí fui no Jô, fui em tudo quanto é canto por conta da greve. O que queríamos? Queríamos o mesmo salário que a Polícia Civil do Distrito Federal recebia. Porque tinha a lei 7.702 que dizia: "Policial federal tem que ganhar igual a policial civil". E não estavam cumprindo. Você é um policial, obriga todo mundo a cumprir a lei e não cumprem pro policial, então fomos pra greve. E aí todos os Estados entraram em greve, dez dias, vinte, trinta, quarenta, cinqüenta dias. "Como é que vamos acabar essa greve?" Aí eles queriam assumir — eles, vou dar nomes —, queriam assumir o controle da Polícia Federal. Os militares, as viúvas do SNI querem o controle da Polícia Federal porque é o instituto legal que detém hoje as coisas que têm que ser feitas no país: Collor, PC, agora esses deputados todos aí, você vê que rola tudo na Federal. E os militares tiveram o comando da Polícia Federal desde a sua criação. Ela foi criada pra ser um braço civil deles. E botaram lá o general Bandeira, o coronel Moacir Coelho, depois o coronel Araripe. O primeiro civil foi o Romeu Tuma, que era superintendente da Polícia Federal em São Paulo, colocado pelo senhor Georges Gazale, que era amigo pessoal do Figueiredo. "Ah! O primeiro civil." Civil com aspas, né? Porque o Tuma não é propriamente um civil: era chefe do DOPS. Comandou aquilo tudo, mas passou como bonzinho, os amigos que trabalharam com ele foram quase todos execrados na mídia pelas merdas que fizeram e depois foram abandonados pelo chefe.

Sérgio de Souza - Dizem até que ele acabou com a tortura nos porões.

Garisto - Isso é brincadeira! Você levanta os caras que sumiram na época em que ele era diretor do DOPS. Porque quem comandava a tortura era o Fleury, não era ele. Só que ele sabia, o Fleury não fazia nada sem ele. E, é lógico, ele passou incólume, sorte dele, é inteligente, estamos em outra época e ninguém quer caçar defunto. Aí o que acontece? O Tuma manteve o mesmo controle, passava as informações todas pros milicos. Os milicos: "Fulano não quer aprovar a compra dos tanques, quem é ele?" "Eu vou levantar." É assim que se processavam as coisas. Aquele maldito tráfico de influência que se operava através da Polícia Federal. Mas ela foi crescendo num processo de democratização, culminando com a indicação: "Agora não pode mais colocar um militar, porque o período não está permitindo mais, a Polícia Federal cresceu, está investigando índio, terra, tudo, vamos colocar um civil". Aí bota o Galdino, de formação igualzinha à do Tuma. O Galdino foi acusado de tortura. O livro Brasil! Nunca Mais tem o nome do Galdino. E ele foi colocado de diretor, quer dizer, a mesma coisa. E se reportava aos milicos daqui e de lá. Aí coloca um outro ligado, mais um outro ligado, aí vem passando, você chega no Chelloti. O Chelloti coloca uma mentalidade nova e não dá bola para os milicos. Aí os milicos tinham que derrubar o Chelloti, certo? E vem o coronel Wilson Brandi Romão, que foi chefe da Conab e foi acusado de um enorme prejuízo na Conab, deixou apodrecer feijão, aquele negócio todo. Como prêmio por ter dado um prejuízo de 50 milhões à Conab, ele foi assumir a Polícia Federal. Assumiu para acabar com a indisciplina do sindicato, que estava ameaçando greve: "Vamos botar um coronel de novo, que a disciplina está sendo quebrada, está sendo rompida. O Tuma não tem mais autoridade e nem o Galdino, vamos botar o coronel".


"O Comando Delta é a fábrica de presidentes, é o que comanda o sistema brasileiro, que faz a reunião para escolher FHC, que já deve estar fazendo reunião pra convidar outro."

Comando Delta é o nome que se deu (batizado por eles mesmos) às pessoas que verdadeiramente governam este país desde 1500. São grandes e megaempresários nacionais e internacionais de todas as áreas, são funcionários do Executivo, Judiciário e Legislativo, além de organismos internacionais de investigações governamentais, que se unem para ditar as regras de tudo e para todos, principalmente na escolha do presidente da República. Foram eles que decidiram que Sarney tinha de tomar posse, e não Ulysses Guimarães, como mandava a Constituição Federal. Foram eles que decretaram que Collor tinha de sair pela porta dos fundos, investigando e achando a corrupção praticada por eles mesmos, que deram dinheiro para a campanha de Collor e depois denunciaram. Foram eles que decretaram que FHC seria o candidato e não o deixaram apoiar Collor como queria. Agora eles se unem desesperados para fazer o sucessor de FHC. Queriam Aécio como candidato, mas o teimoso Serra atrapalhou e deixou muita gente nervosa. A imprensa noticiou reuniões “secretas” de banqueiros, empresários e empreiteiros com Aécio, Serra e FHC, bem antes do início das disputas. Agora contam também com especuladores internacionais que ditam normas para nossa economia, com aumentos injustificáveis do dólar e de pressões de acordos antecipados. Se não bastasse, o Comando Delta recebeu como membros os mais novos interessados, que são os empresários internacionais que ganharam as teles de presente de FHC. Esse pessoal do Comando fatura 90 por cento do que se lucra no país e não irá abrir mão de continuar a faturar como querem e bem entendem, em detrimento da sofrida população brasileira. Irão tentar fazer o Presidente da República a qualquer custo. Qualquer! (Francisco Carlos Garisto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais) Na defesa dos interesses dos oprimidos, o Ministério Público entra em choque necessariamente com os interesses dos parasitas sociais, dos que controlam o Estado, dos que obtêm rendimentos de estruturas de dominação, de exclusão e de opressão social. Os interesses opressores, não contentes com a exploração dos trabalhadores e dos consumidores, via cartéis etc, locupletam-se com mais de 200 bilhões de reais por ano, no mínimo, em atividades como corrupção, sonegação e a rolagem imoral da dívida pública. Através da sonegação, da corrupção e do mecanismo da rolagem da dívida pública, aqueles que exploram e parasitam o povo controlam o Estado e mantêm a situação de iniqüidade atual. Por isso, o Brasil é o campeão em má distribuição das rendas, tal como é um dos campeões em juros altos, em latifúndios, em grilagem, em corrupção, e mais recentemente em desnacionalização de sua economia, neocolonialismo econômico e cultural explícito etc. (Procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza)



A violência como legítima defesa.

Os Direitos Sociais (aposentadoria, do Trabalho, à Saúde, à Educação) surgiram historicamente como tentativa capitalista de aplacar a ira e a revolta da classe trabalhadora contra a injusta distribuição de bens na sociedade.

As primeiras Constituições a reconhecê-los, no México (1917) e na Alemanha (1919), foram promulgadas em contextos revolucionários.

Para evitar o comunismo, espectro que rodava a Europa, paulatinamente, as legislações - sempre como resposta apaziguadora da conflagração social - passaram a regular as relações entre a classe que, por não ter outra forma de sobreviver, vende a força de trabalho e a classe que a compra para extrair mais-valia.

Não bastava, contudo, assegurar alguns direitos à classe trabalhadora. Era pouco para conseguir a sua adesão à maneira de existir sob o capitalismo, o mais injusto modo de produção já concebido pela humanidade.

Para assegurar os dedos com que garroteava as maiorias o capitalismo teve que ceder alguns anéis, teve que fazer promessas.

Aos que se submetessem ao poder patronal, aos que aceitassem como "normal" ou "natural" a venda de tempo de vida para enriquecer a minoria, o capitalismo prometeu acesso gratuito à saúde e à educação, custeada com impostos (surge o conceito de "gastos sociais"). E àqueles que por muitas décadas se submetessem a contratos de trabalho, prometeu o "direito à aposentadoria" e à velhice assistida.

Esses "direitos", repita-se, não foram benesses derivadas de corações bondosos, foram concessões feitas pelo capitalismo para evitar que a classe trabalhadora tivesse a "má idéia" de se insurgir contra a iniquidade que embasa a exploração da maioria por uma ínfima parcela da sociedade.

Como consequência previsível do Golpe de 2016, como no de 1964, os usurpadores se apressaram em suprimir Direitos Sociais para ampliar a exploração dos trabalhadores e com isso ampliar as já obscenas taxas de lucro existentes no Brasil.

A primeira medida foi "congelar os gastos sociais" por vinte anos. Os empresários se viram em condições políticas de se negar a "pagar o pato", a destinar parte de seus lucros (pagando impostos) para assegurar o Direito à Educação e à Saúde a quem vive do trabalho prestado, sob remuneração, à classe dominante.

Em seguida, os empresários se voltaram contra o Direito do Trabalho, para diminuir o valor das remunerações, aumentando as "margens de lucro" e, ao mesmo tempo, descumprem a promessa de "assegurar uma velhice digna" a quem foi explorado por décadas. De maneira apressada, no Brasil depois do Golpe, a Direita e os empresários tentam empurrar goela abaixo a Reforma Trabalhista e a Reforma Previdenciária.

Não se trata, verdadeiramente, de "reformas", mas de "desconstrução" de Direitos Sociais, como se o capitalismo além de não precisar mais "ceder anéis para preservar os dedos" buscasse resgatar os anéis cedidos anteriormente. E faz isso de modo violento.

Constitui inadmissível violência a destruição do Direito à Saúde e à Educação (congelamento dos "gastos sociais") daqueles que, por não terem recursos, dependem destas prestações sociais por parte do Estado.
Retirar direitos de quem tem na venda de sua força de trabalho a única maneira de sobreviver (reforma trabalhista) configura-se em violência ainda maior. Uma violência que produzirá fome, que aumentará a criminalidade e que resultará em morte. Impedir que as pessoas se aposentem (consequência da reforma previdenciária) é uma violência sob vários aspectos, inclusive por impedir a entrada dos mais jovens no "mercado de trabalho". É uma violência contra os velhos, contra os jovens, e contra quem tinha a expectativa de se aposentar dentro de 5 ou 10 anos e que, se aprovada a "reforma previdenciária", jamais poderá parar de trabalhar.

O Golpe é uma violência contra a democracia. Suas consequências concretas se apresentam como violência contra as pessoas que precisam "ganhar a vida" desperdiçando-a na submissão a contratos de trabalho, sob o jugo do poder empresarial, agora já sem direitos à Saúde Pública, à Educação gratuita, pelo resto de suas infelizes vidas, e sem direito à aposentadoria.

Reagir com violência a tais violências parece ser, além de imperativo ético, inevitável. A volúpia empresarial, destruindo os Direitos Sociais, empurra a classe trabalhadora para o confronto, para responder com violência à violência, exercendo a legítima defesa de seu direito a sobreviver.

Os golpistas estão acabando com o Brasil que conhecíamos. Para resgatá-lo a classe trabalhadora, cedo ou tarde, terá que reagir. E essa reação não será pacífica. Mais que nunca nosso país depende da classe trabalhadora. Talvez isso explique a obsessão da "direita concursada" a serviço da minoria exploradora em tentar impedir por quaisquer meios que a representação política da classe trabalhadora possa participar das próximas eleições.

O Brasil não ficou melhor depois do Golpe. Mas o capitalismo, ao contrário das aparências, não está mais seguro agora. Tudo tem limite, até a paciência do "pacífico e ordeiro" povo brasileiro.

Exelente comentário de Wilsom obrigado

Trecho da entrevista do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais Francisco Carlos Garisto concedida para a revista Caros Amigos


Rodrigo Veronezi Garcia é Blogueiro e estuda sobre Mitologia, Religião, História, Arqueologia, Ciências Ocultas, Sociedades Secretas, Segredos Militares, Geo Politica, Parapsicologia, Ufologia.
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